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sexta-feira, 22 de julho de 2016

The VVitch: A New-England Folktale (2015)

País: USA | UK | Canada | Brazil
Direção: Robert Eggers
IMDb

Elenco:
Anya Taylor-Joy - Thomasin
Ralph Ineson - William
Kate Dickie - Katherine
Harvey Scrimshaw - Caleb

Sinopse & notes:
Eu achei bem interessante a ideia de partir de documentos primários pra realizar o filme com base nos relatos sobre bruxas e bruxaria da época. Sabemos todos da histeria coletiva do contexto e como foi baseada em relatos completamente fantasiosos e alucinados. E pra ser bem honesta, normalmente me incomoda bastante filmes situados no mesmo contexto sócio-histórico que endossam o imaginário das mulheres como bruxas de fato.

Mas nesse filme não me incomodou. Achei que retrata o imaginário do período de forma bastante crua, sem tantas interferências do presente e dos esquemas do próprio gênero. Esclareço lembrando que o imaginário de horror, e especificamente de bruxas e feitiçaria é obviamente bastante variável histórica e socialmente. Trazendo um exemplo local, quem já teve oportunidade de dar uma olhada nos documentos da visita da inquisição a Pernambuco em 1593-1595 deve ter uma boa ideia. Lembro de um dos relatos, em que uma mulher diz que esteve um tempo presa em Olinda e lá conheceu outra mulher que fazia feitiçarias e conjurava o demônio. Ela descreve o episódio mais ou menos do seguinte modo: a tal feiticeira colocou uma tesoura por cima de um monte de alguma coisa que não lembro e conjurou o demônio falando as palavras “diabo guedelhudo, diabo orelhudo, diabo felpudo”. Ora, muito dificilmente, hoje, ver uma pessoa conjurando o diabo dessa forma vai causar qualquer arrepio, não faz mais parte do nosso imaginário. E acho que o filme “A bruxa”, ao tentar dar vida a um imaginário de horror muito distante da nossa realidade, terminou encontrando grande resistência por parte do público espectador, que não consegue reconhecer seus medos ali.

Então assim, a ideia geral, essa crueza de que falei, me agradou. Mas eu sou da opinião de que esse imaginário poderia ter sido melhor mediado pelos próprios esquemas cinematográficos do gênero de horror. E nesse caso, não estou falando da prática exaustiva de suspense que leva a sustos inúteis a cada cinco minutos. Mas das formas de conexão entre cenas e da construção do suspense. Acho que muita coisa poderia ter sido trabalhada de uma forma mais assustadora. O bode mesmo, tinha um enorme potencial de horror e foi muito pouco explorado. Achei que todas as grandes cenas de horror do filme pareceram desconectadas do enredo, como se tivessem sido jogadas. No cinema, eu tive a real sensação de estar assistindo a vários curtas excelentes, mas desconectados entre si. Acho que mesmo a construção da tensão entre os personagens não foi tão bem trabalhada, as vezes até previsível e forçada, em diálogos que parecem ter sido enfiados de qualquer jeito pra justificar a crescente desconfiança entre eles.

Não me arrisco a dar nota nenhuma porque sei que minha opinião varia demais com o tempo, mas assisti esse filme no cinema e depois novamente em casa e até agora a experiência foi bastante positiva. As cenas de horror são surpreendentes. Acho que é um filme que, independentemente de qualquer coisa, precisa ser assistido.